Minhas experiências com a Terapia Ocupacional

Neste mês de setembro, uma professora do curso de Terapia Ocupacional da Unesp de Marília/SP, tendo conhecido minha história e meu trabalho com o Blog Dyskinesis no evento do fórum “Universidade (D)eficiente”, realizado em agosto na Unesp de Bauru/SP, me fez um convite para relatar minhas experiências com a Terapia Ocupacional ao longo da vida, com a finalidade de ilustrar meu caso clínico para seus alunos do curso universitário.

Aproveito, então, para disponibilizar meu relato também aqui no Dyskinesis, pois algumas pessoas com distúrbios de movimento já chegaram a me perguntar sobre os tratamentos que eu fiz/faço para a minha distonia. Mas, antes, devo enfatizar duas observações. A primeira é o fato de que o relato abaixo é uma experiência pessoal, ou seja, a Terapia Ocupacional foi muito benéfica para mim, porém, cada caso é um caso, o que significa que as indicações e os resultados de cada tratamento podem variar de pessoa para pessoa.

A segunda observação que eu faço é que o texto abaixo diz respeito apenas à Terapia Ocupacional, mas tenho experiências também com outros tratamentos ao longo da vida (como a Fisioterapia, por exemplo, cujas abordagens são um pouco diferentes das da modalidade que estou relatando abaixo).

Feitos esses comentários, disponibilizo meu relato sobre minhas experiências com a Terapia Ocupacional.

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“Desde meus oito meses de vida (junho de 1995) até por volta dos 18 anos (começo de 2013), eu frequentei a Terapia Ocupacional regularmente (pelo menos uma vez na semana, mas teve épocas em que a frequência era de três vezes por semana). Após terminar a faculdade e ganhar uma ação judicial para o custeamento do Protocolo Intensivo PediaSuit, eu retornei a frequentar a mesma clínica de T.O. (de novembro de 2017 até o momento, setembro de 2018).

Sem sombra de dúvidas, a T.O. me auxiliou muito no desenvolvimento de minhas habilidades motoras, pois eu nasci com distonia generalizada, que acomete principalmente meus membros superiores e o pescoço. Quando eu era pequena, minha terapeuta ocupacional utilizou bastante o Método Bobath e a Integração Sensorial. Ela também recomendou e adaptou diversas órteses, que cheguei a utilizar nas pernas (por pouco tempo, até aprender a andar aos dois anos e meio) e nos braços e mãos (destaco nesse caso os facilitadores manuais, tipo engrossadores de lápis e colheres, que me auxiliaram no aprendizado motor de movimentos mais finos).

A terapeuta ocupacional também realizava alongamentos de acordo com os padrões musculares que a minha distonia me causava, e isto foi algo de extrema importância em minha vida, pois graças a tais exercícios nunca tive atrofia muscular e nem precisei de intervenção cirúrgica até hoje. E, pouco depois de eu completar dez anos de idade, comecei a fazer tratamento com a toxina botulínica (em dezembro de 2004), o que facilitou o relaxamento de alguns músculos e possibilitou à terapeuta novas formas de me auxiliar ainda mais nas sessões semanais.

Recentemente, com a introdução do Protocolo Intensivo PediaSuit, agora a minha terapeuta ocupacional e seus assistentes fisioterapeutas na clínica estão trabalhando o meu alinhamento postural, a questão do equilíbrio e do uso funcional principalmente do meu braço direito, além de continuar utilizando algumas das técnicas anteriormente já citadas. Destaco que o fato de ter o acompanhamento de uma mesma profissional T.O. durante quase toda a minha vida facilitou muito o processo de reabilitação, pois a terapeuta me conhece desde pequena, sabe das particularidades do meu caso clínico e de todo o histórico de métodos e exercícios que melhores se aplicam a mim.

Além disso, o envolvimento da terapeuta com a família e com a escola (na época do ensino fundamental e médio) proporcionou uma atuação holística, sempre dedicada a facilitar minha autonomia e integração ao ambiente. Creio que estas sejam, justamente, as principais funções de um terapeuta ocupacional: proporcionar ao seu paciente um atendimento acolhedor e integrado à sua vida e necessidades diárias”.

 

* Crédito da imagem: Charles Albino/Wikimedia Commons.

 

Por Ana Raquel Périco Mangili.

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