Protocolo Intensivo PediaSuit

Ana Raquel com os terapeutas Sandra e Rafael

A postagem de hoje é feita em parceria com a Terapeuta Ocupacional Sandra C. P. Volpi, que irá nos explicar um pouco sobre o método de terapia intensiva Protocolo PediaSuit. O PediaSuit é um dos recursos de reabilitação física mais modernos da atualidade e trabalha com o alinhamento postural através de uma vestimenta específica, que estimula o reaprendizado de movimentos corporais por meio de exercícios intensivos. Por isso, o PediaSuit é indicado para a maioria dos distúrbios de movimento e para diferentes faixas etárias, mas requer uma avaliação clínica inicial para a elaboração das sessões de terapia de acordo com cada caso em específico.

Recentemente, através de uma ação judicial, obtive o ganho de sessões de PediaSuit com a Sandra Volpi, que também é minha terapeuta há mais de 20 anos. Faz um mês que iniciei a terapia e, no que eu puder ajudar, fico à disposição dos leitores para o esclarecimento de dúvidas a respeito do tema. As fotos que ilustram esta postagem são do meu arquivo pessoal das sessões de PediaSuit que já fiz até o momento.

Segue abaixo o texto da Sandra Volpi, onde ela conta sobre as origens do PediaSuit e suas aplicações na prática terapêutica.

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“Protocolo Intensivo PediaSuit

Atualmente, os avanços tecnológicos representam um progresso que transcende a facilidade cotidiana. Para as pessoas com deficiência, a tecnologia pode representar uma possibilidade de reabilitação, independência, autonomia, qualidade de vida e inclusão social. Nesse sentido, surgem novos recursos no campo da neurologia que possibilitam potencializar ganhos motores e funcionais em crianças e adultos com sequelas de lesões neurológicas. O Protocolo Pediasuit faz parte destes novos avanços.

Em 1971, o “Penguin Suit” foi desenvolvido pelo programa espacial da Rússia. Era um Suit especial que foi usado pelos astronautas em voos espaciais para neutralizar os efeitos nocivos da ausência de gravidade e hipocinética sobre o corpo: perda de densidade óssea, alteração da integração das respostas sensoriais, atrofia muscular, alteração da integração das respostas motoras, alterações cardiovasculares, e desequilíbrios homeostáticos. Cientistas e especialistas em medicina espacial, depois de uma longa pesquisa, criaram este Suit com ação de carga, o que tornou as longas viagens ao espaço possíveis. O Suit desenvolvido pelo programa espacial russo foi o primeiro passo para a moderna “Suit Terapia”. No entanto, este Suit limitava o movimento dos astronautas, e era difícil de ser vestido. Por outro lado, o seu design ortopédico dinâmico foi um sucesso.

O fato de que ele podia ser usado por longos períodos de tempo foi a base da criação da terapia intensiva com o Suit. Mais tarde, a tecnologia da “Suit Terapia” passou a ser compartilhada com profissionais de reabilitação. Eles perceberam que os efeitos da ausência da gravidade eram semelhantes aos problemas físicos em pacientes com Paralisia Cerebral (PC) e outras condições neurológicas. Por essa razão, eles decidiram adaptar o Suit para pacientes com PC. Em meados dos anos 90, uma clínica na Polônia deu um passo além e desenvolveu o “Adeli Suit”, o primeiro a ser usado em crianças com PC.

O PediaSuit foi criado em 2006 por Leonardo de Oliveira, Terapeuta Ocupacional co‐fundador da Therapies4kids, para a reabilitação do filho Lucas, hemiparético devido a uma anóxia cerebral e que precisava de tratamentos eficazes, como a terapia intensiva. Lucas começou a engatinhar após a primeira semana de terapia intensiva com o uso do macacão terapêutico ortopédico, e começou a caminhar no final da terceira semana.

A terapia é realizada seguindo um protocolo na utilização de uma órtese dinâmica, a qual consiste em touca, colete, short, joelheira, tênis e um sistema de elásticos ajustáveis às necessidades de cada paciente, configurados para facilitar movimentos funcionais e inibir padrões inadequados de movimento. O exoesqueleto produzido pelo macacão terapêutico ortopédico aumenta significativamente os efeitos na habilidade do paciente em executar novos planos motores. O macacão terapêutico, combinado com a repetição dos exercícios, tem a habilidade de fornecer plasticidade cerebral para a apreensão de novos padrões de movimentos, fazendo com que os pacientes aprendam estes novos padrões e ganhem força muscular ao mesmo tempo. Isso, associado ao treinamento de força muscular, torna o PediaSuit ideal para o tratamento de muitos distúrbios neurológicos, especialmente a Paralisia Cerebral.

O PediaSuit consiste em um protocolo de terapia intensiva composto de até 4 horas de terapia por dia, 5 dias por semana, durante 3 ou 4 semanas, e manutenção mensal de 6 horas por semana nos intervalos dos intensivos conforme a avaliação inicial e as particularidades individuais. O tratamento tem indicação para pacientes com Paralisia Cerebral, Autismo, mielomeningocele, Síndrome de Down, Acidente Vascular Encefálico, traumatismo crânio-encefálico, entre outros. Entre os benefícios terapêuticos proporcionados, pode-se destacar o aumento da densidade mineral óssea, força muscular, propriocepção, equilíbrio, coordenação motora, consciência corporal, modulação de tônus postural e alinhamento biomecânico”.

Se quiser saber mais a respeito do Protocolo Intensivo PediaSuit, Sandra Volpi recomenda o site oficial sobre o tratamento no Brasil: https://www.pediasuitbrasil.com.br/index.php/pt-br/sobre-o-pediasuit

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Terapeuta Ocupacional Sandra C. P. Volpi

Graduada em Terapia Ocupacional pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1980) e Mestre pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP – Botucatu (2009). Atualmente é Terapeuta Ocupacional na Clínica Somatus, localizada na cidade de Botucatu/SP. Sandra é instrutora internacional do Protocolo Intensivo PediaSuit básico/avançado, com formação na Flórida Fort Launderdale/EUA, além de responsável técnica do PediaSuit e outros conceitos desenvolvidos em sua clínica. Tem experiência em reabilitação física, com ênfase em Terapia Ocupacional e Fisioterapia, atuando principalmente nos seguintes métodos: Sensório Motor (Conceito Bobath), Integração Sensorial, Kinesiotaping, confecção de órteses de membros superiores e adaptações em AVDs.

 

* Conteúdo escrito desta postagem cedido por Sandra C. P. Volpi.

* Crédito das fotografias: arquivo pessoal de Ana Raquel Périco Mangili.

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1 comentário

  1. Pingback: Minhas experiências com a Terapia Ocupacional | Dyskinesis

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