A história da escritora curitibana Luciana do Rocio Mallon

14375280_1323404971017523_1108222869_oSabia que nem todas as alterações motoras são classificadas na categoria única de distúrbios de movimento/discinesias? Isso porque as alterações nos movimentos corporais podem vir como fator secundário de alguma outra deficiência ou síndrome. Esse é o caso da Luciana do Rocio Mallon, leitora do Dyskinesis que contará a sua história abaixo.

Além de ter Síndrome de Asperger, um Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD) que pode causar alterações motoras, Luciana teve meningite na infância, o que acarretou em dificuldades para realizar algumas atividades físicas. Ela buscou como terapia aulas de Dança Cigana, e também se realizou profissionalmente como escritora. Confira a seguir seu relato.

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“Como estou conseguindo superar meus problemas motores

Meu nome é Luciana do Rocio Mallon, sou escritora e publiquei um livro chamado Lendas Curitibanas. Tenho um déficit chamado Síndrome de Asperger, que me atrapalha nas interações sociais. Sem falar que possuo pequenos problemas motores, causados por uma meningite que tive quando criança.

Durante a minha infância, as aulas de Educação Física e Educação Artística sempre foram tristes para mim, porque meus colegas caçoavam dos meus problemas motores. Afinal, eu não conseguia desenhar e muito menos pegar uma bola.

14341914_1323405441017476_10523342_nPorém, com muito esforço e lentidão, aprendi a escrever já aos seis anos de idade, no ano de 1980. Então, naquela época, eu não gostava dos contos tradicionais como Branca de Neve, Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho, etc. Pois o que eu curtia mesmo eram estórias como: A Loira Fantasma, A Noiva do Belvedere, O Cachorro do Drácula, etc. Por isto, pedia aos mais velhos para contarem causos e anotava todos num caderno.

Em 1993, precisei desistir de um emprego, porque eu tinha muitas dificuldades em realizar tarefas motoras, como desenhar, recortar e dobrar.

O tempo passou e, em 1997, me formei em Letras Português-Espanhol pela Universidade Federal do Paraná. Porém, meus problemas motores ainda me incomodavam muito. Tanto que não passei no teste do DETRAN, onde tinha que desenhar. Afinal, meus desenhos saíram tortos. O psicólogo que corrigiu minha prova sugeriu que eu voltasse para o jardim-de-infância para aprender a desenhar. Além disto, ele falou que eu não tinha capacidade para trabalhar em nada porque eu tinha a coordenação motora péssima. Aquilo fez com que eu entrasse em depressão profunda e uma amiga me sugeriu que eu procurasse uma fisioterapeuta, pois este tipo de tratamento poderia fazer com que meus problemas motores amenizassem.

14341919_1323404824350871_525245921_nDeste jeito, frequentei as sessões de Fisioterapia que o plano de saúde cobria. Mas a médica sugeriu que eu fizesse aulas de Dança Cigana, ou Dança Flamenca, porque seria uma forma de realizar um tratamento contínuo.

Por isto, me matriculei em uma academia onde havia aulas de Dança Cigana. No começo, tudo foi difícil, mas com muito treino consegui realizar uma coreografia solo em 2009. Outras apresentações vieram com o tempo.

Em 2012, um jornalista sugeriu que eu enviasse meus textos, sobre as lendas que eu pesquisava, para um editor que costumava publicar autores interessantes de forma gratuita. Em novembro de 2013, saiu o meu livro chamado Lendas Curitibanas.

Ainda tenho problemas motores, por isto estou me dedicando às aulas de dança. Tem coisas básicas que ainda não consigo fazer, como por exemplo, cortar tomates. Mas acredito que, no futuro, através do esforço conseguirei isto e muito mais.

Luciana do Rocio Mallon”

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* Créditos das fotografias: arquivo pessoal.

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1 comentário

  1. Amei o texto! Parabéns pela garra e determinação!
    É um exemplo de superação, até para esse instrutor preconceituoso que deveria responder um processo.Também tenho uma neta com problemas motores,não vejo a hora de vê-la andando, ela faz fisioterapia e equoterapia, está evoluindo mas não tanto quanto agente sempre espera.Ela tbm ñ gosta de usar a tesoura.Mas creio que Deus está no controle. Me desculpa falar nela,mas é que a senhora é um exemplo a ser seguido, e contando a história dela,dá a impressão que ela tbm irá superar seus limites.
    Tbm tenho muitas coisas escritas,que um dia pretendo que seja um livro.
    Desejo muito $uce$$o para seu livro.

    Bjssss

    Curtido por 1 pessoa

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