Autismo, Estereotipias & Ensino Estruturado

Nesta nova edição da Coluna do Especialista, o profissional Wesley Becker Vieira da Silva nos apresenta um texto com o tema “Autismo, Estereotipias & Ensino Estruturado”, baseado em seus estudos e vivências como coordenador pedagógico em Bauru/SP.

O Blog Dyskinesis já trouxe anteriormente uma matéria sobre o Transtorno do Movimento Estereotipado, mas agora o pedagogo Wesley aborda a relação deste distúrbio de movimento com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e também explica o método do Ensino Estruturado, voltado para o desenvolvimento das crianças que recebem o diagnóstico de TEA.

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Autismo, Estereotipias & Ensino Estruturado

Histórico

Em 1906, surgiu pela primeira vez na literatura o termo “Autismo”, inserido pelo psiquiatra Plouller. A palavra vem do grego “autós” que significa “em si”. Desde então surgiram grandes pesquisadores, como Eugene Bleuler; Leo Kanner; Hans Asperger; Lovaas; Eric Shopler, Gary Mesbou e tantos outros que contribuíram para melhor entendimento desta deficiência e que aguçaram a nova geração a dar continuidade em pesquisas nas áreas da ciência e educação.

Na classificação do autismo – antes tendo como norteador o  DSM – IV:

DSM-IV – Transtorno Global do desenvolvimento

– Transtorno autista

– Transtorno de Rett

– Transtorno Desintegrativo da Infância

– Transtorno de Asperger

– Transtorno Invasivo do desenvolvimento Sem outras especificações. TID- SOE

Atual classificação – DSM-V

DSM-V – Transtorno do Espectro Autista/ TEA

– Grau leve

– Grau moderado

– Grau severo

Critérios utilizados no diagnostico são: a) Deficiência social e de comunicação; b) Interesses restritos, fixos e intensos e comportamentos repetitivos.

A diferença do DSM-V para o anterior é que não há uma divisão de tipos de autismo, mas em graus.

Estereotipias

Segundo o DSM-V, dentre os comportamentos repetitivos, a estereotipia pode apresentar com maior frequência e intensidade na infância, desde movimento de flap, girar em torno de si, bater palma, pular, dentre outros. O autor Naoki Higashida, no livro “O que me faz pular” diz: “Quando estou pulando, posso sentir melhor as partes do meu corpo – as pernas saltando, as mãos batendo, e isso me faz muito, muito bem…”.

Sabemos que a estereotipia pode apresentar o lado positivo e/ou o negativo.

Positivo – Manifesta reações de alegria, felicidade, conquista. Também é uma forma de se organizar, como, por exemplo: entrar em uma lanchonete pela primeira vez e ao se deparar com a mudança de ambiente, pode ser que ocorra o aumento do movimento de flap (balançar o corpo para frente e para trás) por alguns minutos, para se organizar e assim conseguir permanecer no ambiente.

Negativo – Quando a estereotipia desorganiza ao ponto de perder o canal de comunicação, deixando de interagir com o ambiente, pessoas e de realizar atividades simples do seu cotidiano.

Estudos na área da ciência apontam que não há fator exato da causa do autismo, mas é ressaltada a importância do diagnóstico precoce para que as crianças recebam o tratamento necessário o quanto antes, tendo assim resultados positivos em seu desenvolvimento.

Educação – Ensino Estruturado

No âmbito educacional, estarei abordando o grupo na fase da infância e adolescência com Autismo. Independentemente do grau de desenvolvimento, o Ensino Estruturado tem trazido grandes benefícios às áreas da linguagem, cognitiva e interação social.

O método TEACCH (Treatment and Education of Autistic and related Communication-handicapped Children), em português, significa Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Déficits relacionados com a Comunicação. Ele possibilita ter ambientes, como casa, escola e comunidade em geral, sendo bem estruturados na sinalização, oportunizando uma leitura de regras e ações dentro dos ambientes que se encontram, além de oferecer maior autonomia e independência para o indivíduo.

No método TEACCH, a ação ocorre da esquerda para a direita; de cima para baixo, de acordo com o processo de leitura e escrita. Outra maneira de se visualizar o TEACCH é através do sistema de trabalho, tendo por finalidade apresentar materiais pedagógicos bem estruturados e sinalizados, para que a criança consiga fazer a leitura do material e agir de acordo com as etapas de começo, meio e fim.

O sistema de trabalho pode ser dividido em:

  1. Depósito
  2. Execução
  3. Acabou

Compartilho abaixo modelos que utilizo:

Sistema de trabalho de base: Contém as três divisões mencionadas acima, os materiais são de maior resistência (madeira, MDF), trabalhando as disciplinas escolares. Também visa à coordenação motora (movimento de prensa e pinça) e à atenção visiomotora.

Sistema de trabalho de pasta: Possui as mesmas divisões do sistema de base, a diferença é que os materiais são de menor resistência (pastas plásticas ou similares), tendo o uso de fichas com imagens e escritas.

Também é possível utilizar esta estrutura no caderno convencional, com dicas visuais de execução para que a criança e/ou adolescente consiga compreender o que é necessário fazer. Conforme o amadurecimento, gradativamente é tirado as pistas visuais, a ponto de não precisar fazer uso destas, conseguindo generalizar o que foi aprendido em outras áreas do conhecimento e da vida.

O Ensino Estruturado auxilia na diminuição de comportamentos como a estereotipia, pois apresenta pistas visuais claras de realização, propiciando maior atenção e, consequentemente, a diminuição de comportamentos que antes levavam à dispersividade, possibilitando sentimentos positivos devido ao êxito da atividade, do aumento do contato visual e da interação social com o ambiente.

Também compartilho uma vivência, enquanto profissional, através do Núcleo Itinerante Tecendo Musicalização Com Saber. Este projeto foi iniciado em março de 2017, através de pesquisa realizada com cinco crianças, com e sem deficiência, na faixa etária dos 5 aos 9 anos de idade, tendo como proposta atendimento domiciliar na casa da criança. Os atendimentos são realizados por um pedagogo e uma educadora musical e, dentre técnicas e métodos, utilizamos o Ensino Estruturado, tendo grandes resultados como o aumento da autoestima, previsibilidade de todas as etapas a serem realizadas, melhoras de habilidades e identificação de potencialidades. Para saber mais, acesse a página do projeto no Facebook. A expansão deste serviço ocorrerá em fevereiro de 2018“.

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Pedagogo Wesley Becker Vieira da Silva

Graduado em Pedagogia/Habilitado em deficiência intelectual, auditiva e gestão escolar pela Faculdade de Agudos – FAAG. Atua como coordenador pedagógico em uma escola, realiza assessoramento seguido de ação em uma empresa na categoria de emprego apoiado para pessoa com deficiência. Fundador conjunto com Lilian B. M. Silva no Projeto Núcleo Itinerante Tecendo Musicalização com Saber.

* Conteúdo escrito e fotografias desta postagem cedidos por Wesley Becker Vieira da Silva.

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