Resenha da série Atypical

Hoje, a seção de Conteúdos Audiovisuais vai dar espaço para uma indicação de série da Netflix que eu penso ter tudo a ver com a temática dos assuntos que debatemos regularmente aqui no Blog Dyskinesis.

A primeira temporada da série Atypical estreou na Netflix dia 11 de agosto deste ano, e conta com oito episódios de cerca de meia hora cada. A história gira em torno do adolescente Sam (interpretado por Keir Gilchrist) e sua família. Sam tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), e a narrativa se desenvolve a partir do momento em que ele decide arrumar uma namorada.

Bom, e o que tudo isto tem a ver com o Dyskinesis e o tema dos distúrbios de movimento? Primeiramente, há uma discinesia que costuma estar relacionada com o TEA, que é o Transtorno do Movimento Estereotipado (ou estereotipias motoras), assunto que, inclusive, já foi abordado em uma postagem do Blog Dyskinesis.

Em segundo lugar, a série aborda assuntos que podem ser considerados comuns nas realidades das pessoas com deficiência, seja esta do tipo que for. Por mais que a narrativa tenha como ponto principal a vivência com o Transtorno do Espectro Autista, o desenvolvimento da história toca em várias outras questões. O que move todas elas é, resumindo, algo universal: a busca de um ser humano para ser enxergado pelos demais exatamente da maneira como ele é, sem preconceitos nem quaisquer julgamentos.

Também entra em cena, da forma mais humanizada possível, a dinâmica dos impactos que uma deficiência pode causar na estrutura familiar e no ambiente ao redor. A mãe de Sam, Elsa (Jennifer Jason Leigh), vive os dilemas de ser superprotetora em relação ao filho, ao mesmo tempo em que entra em crise por exercer o papel de mãe integral e abdicar de suas próprias necessidades. Já o pai de Sam, Doug (Michael Rapaport), esconde por trás de uma fachada feliz seus problemas interiores de aceitação da condição do filho e da busca por uma aproximação com este.

E a irmã de Sam, Casey (Brigette Lundy-Paine), desempenha talvez o papel mais multifacetado da série, que engloba facetas que vão desde a filha caçula meio revoltada com os pais por ser sempre deixada de lado em nome do irmão, até a moça que amadureceu rapidamente para lutar contra todas as injustiças sociais, motivada pelo seu imenso amor por Sam.

Os personagens secundários também ganham destaque e extrema importância na narrativa, como a terapeuta Júlia, que se envolveu com a causa por também ter um parente com autismo, o amigo Zahid, que nunca deixou as particularidades de Sam interferirem em sua amizade com ele, e a garota Paige, que compartilha com Sam o sentimento de “estar fora da caixa”. Assim, a série nos mostra que, por vezes, a tão buscada “normalidade” é uma questão de ponto de vista, pois cada um de nós temos nossos próprios desafios e particularidades a serem vividos.

Situações sociais problemáticas, como o bullying e os impedimentos encontrados para a vivência da plena sexualidade pela pessoa com deficiência, também são abordados de forma louvável pela série. A única crítica que faço a este produto audiovisual é ao fato de que o Transtorno do Espectro Autista é retratado nele apenas sob o ponto de vista de Sam e de colegas semelhantes a ele. Sinto que faltou uma maior representatividade para as pessoas que apresentam outras condições ou graus dentro do espectro do autismo. Mas, pelo menos, a série deu um pontapé inicial para trazer o tema ao centro das discussões sociais e midiáticas. Só por isto acredito que, sem dúvida, já vale a pena ser assistida e apreciada.

* Atualização do dia 14/09/2017:  Podemos comemorar! A Netflix renovou a série Atypical para a segunda temporada! Serão produzidos, em breve, mais dez novos episódios. Veja aqui a notícia. 🙂

* Crédito das imagens: reprodução Netflix.

Por Ana Raquel Périco Mangili.

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