O empreendedorismo como oportunidade para a pessoa com deficiência

pixabay-2Hoje vou compartilhar um texto que produzi originalmente para o site  do Marcelo Bueno sobre empreendedorismo e mídias digitais, o Blogando. Acredito que seja super válido trazer esse debate para o Dyskinesis, já que os distúrbios de movimento podem acarretar em limitações físicas em vários casos e, por isso, serem considerados também como deficiências.

Nesse novo século, estamos sempre falando de ideias inovadoras, diversidade, representatividade… Já parou para pensar que, apesar de toda essa suposta democratização que a Internet e as novas mídias possibilitam, ainda há segmentos da população que requerem espaço e visibilidade? Já chegou a refletir sobre a importância do empreendedorismo para as pessoas com deficiência?

Somos 24% da população no Brasil. E, apesar de nossos direitos trabalhistas estarem registrados em leis, mais da metade de nós com idade economicamente ativa se encontra desempregada. Basta uma pesquisa no Google ou simplesmente bater um papo com um indivíduo com deficiência para se inteirar de histórias acerca da discriminação no mercado de trabalho.

As empresas costumam não fornecer acessibilidade, contratar somente pessoas com deficiências leves ou designá-las a cargos com funções muito aquém de suas competências profissionais. Isso sem contar na falta de estímulos para o indivíduo com deficiência buscar sua autonomia. Tudo isso se insere no contexto de nossa cultura capacitista.

Diante desse quadro, uma das possíveis saídas encontradas para obtermos a nossa independência e realização profissional é o empreendedorismo. Quase três em cada dez empreendedores do estado de São Paulo têm deficiência. É certo que, mesmo por esse caminho, ainda há muitos obstáculos, como a instabilidade econômica e a desigualdade de gêneros na área (entre 55% a 72% dos empreendedores com deficiência são homens), mas as vantagens de se optar por empreender também são várias.

pixabayPoder trabalhar em seu próprio ritmo e decidir sobre seu ambiente de trabalho e sua rotina são os principais benefícios do empreendedorismo para quem tem alguma deficiência. Os empreendimentos dessas pessoas são os dos mais variados tipos, não apenas voltados para a própria categoria ou para o assistencialismo. E uma das áreas de destaque nesse universo é a do Empreendedorismo Digital.

Na Internet estão vários sites, blogs e produtos feitos por indivíduos com deficiência. O meio digital é um grande aliado para a divulgação e a prestação de serviços. Os desafios de se conseguir visibilidade e rentabilidade permanecem, mas a relação custo X benefício é, em grande parte dos casos, compensadora.

Por exemplo, ter um blog, pessoal ou jornalístico, pode trazer ganhos não apenas financeiros (com publicidade ou patrocínio), mas principalmente social. É poder sentir-se parte de um todo, integrar-se mais ao meio e compartilhar experiências. Tudo isso abre horizontes de vida, inclusive para a pessoa com deficiência.

Vou ilustrar o que falei acima com um pouco da minha história. Nasci prematura, aos sete meses de gestação e, como consequência, adquiri Distonia generalizada (uma deficiência física da categoria dos distúrbios de movimento) e deficiência auditiva. Curso Comunicação Social – Jornalismo, 4º ano, na Unesp de Bauru/SP e sou estagiária em Assessoria de Imprensa desde março de 2014 na Associação dos Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear (ADAP).

Ao tomar gosto pela área do jornalismo digital especializado com meu curso e meu estágio, e perceber as potencialidades desse segmento, notei que poderia aplicar meus conhecimentos e engajamento pessoal em outro tema pertencente ao ramo da saúde e deficiências: os distúrbios de movimento e doenças raras associadas. Desse modo, também aproveitei para transformar um projeto próprio em Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo da Unesp.

Assim nasceu, no dia 23 de julho desse ano, o Blog Dyskinesis, com o objetivo de levar informação, entretenimento e representatividade para os brasileiros que possuem distúrbios de movimento e doenças raras relacionadas e que querem saber mais sobre o tema, assim como os possíveis demais interessados na área (profissionais da saúde, familiares e curiosos em geral).

O Dyskinesis ainda nem foi apresentado como TCC e já recebe visitas diariamente, com feedbacks até de leitores de outros países, como a Espanha. Sinto-me realizada com esse projeto e espero futuramente abrir uma microempresa de comunicação e assessoria na área. As pessoas com distúrbios de movimento ainda encontram poucas informações sobre o tema na Internet, e quero trabalhar para mudar essa realidade.

* Créditos das imagens: Pixabay.

Por Ana Raquel Périco Mangili.

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